Desde sempre fui chamada de indecisa. E reconheço isso. Tenho uma séria dificuldade em escolher entre duas - se mais, pior ainda - alternativas. Não consigo pensar numa outra maneira que não seja "estou abrindo mão de algo, posso me arrepender", o que me dá uma dó tamanha, junto daquela péssima sensação de que poderia-ter-escolhido-melhor. É sempre assim. De escolhas bestas à escolhas complexas. Fora que sou uma pessoa com gostos tão diferentes que chegam a ser até, para alguns, excludentes; o que dificulta horrores o processo já doloroso da decisão: "compro um livro cheio de fotos sobre moda ou um cheio de textos sobre a Revolução Russa?" - e daí pra baixo. Ou pra cima. Enfim, confuso, eu sei.
Admito: as piores decisões são aquelas irreversíveis. Marcantes, oficiais, públicas e, se me permitem o pleonasmo descarado, decisivas - essas daí me tiram o sono. E deviam tirar de muita gente por aí, que dirá em Brasília. Quando um político escolhe um partido, teoricamente ele se identifica com o tal pelos seus ideais, pelas suas lutas construídas, pelo seu quadro de representantes, enfim, por uma gama de outros de fatores. Mas a verdade, sabemos, é um tanto diferente: muito do que move as decisões políticas são os tão egoístas interesses pessoais, que são variados mas que, no fim, convergem, quase que de forma unânime, para o par dinheiro/poder. Tal associação é simples, só mudando, dependendo da visão de cada um, o verbo e a ordem das palavras, sem grandes alterações: dinheiro traz poder, poder é dinheiro, dinheiro faz poder etc. Isso tudo, claro, num quadro em que ainda vemos um coronelismo mascarado, uma exagerada burocracia, uma corrupção em qualquer campo e uma população conivente com tais atos - secretos ou não.
Em dezembro de 2008 o STF confirmou a constitucionalidade da resolução do Tribunal Superior Eleitoral que disciplina a perda dos cargos eletivos de deputados, vereadores e senadores por infidelidade partidária, isto é, aquela bagunça nas trocas dos partidos: direita virando esquerda, esquerda virando direita etc e tal. Confusão bem típica da política, se me permitem o termo, desmemoriada. De fato muitos políticos brasileiros não acreditam que haja um prazo de validade para o (mau) exercimento de suas funções, como o sarcástico deputado Sergio Moraes (PTB-RS), que além de se lixar pra todos nós, declarou publicamente que mesmo com todo aquele alvoroço, acabaria sendo eleito novamente. E novamente. E novamente. E eu lá duvido?
Digo isso pois caso ele, como qualquer outro mestre da politicagem, trocando ou não de partido, poderá ser eleito novamente. No ano que vem elegeremos não só o novo presidente - ou seria nova presidenta? - como, espero eu, novos governadores, deputados federais, deputados estaduais e senadores. A renovação no Senado, como em todas as outras representações de poder, é essencial. E o melhor: é uma escolha nossa. Não podemos continuar com Duques, Collors, Sarneys, Virgílios, Renans, e tantos outros. Ora, que peguem seus jatinhos e partam para bem longe!
Ressaltemos que a questão da fidelidade partidária é, ainda, um tema áspero: ao mesmo tempo que evita o intercâmbio entre partidos, faz com que os poucos políticos comprometidos que nos restam hesitem em trocar: mesmo que o partido não se comprometa mais com o que antes propunha, cabe ao político decidir se permanece onde está, carregando rótulos que a sua filiação leva, ou mudar para outro, correndo o risco de perder o mandato. E é isso que tem acontecido com a senadora Marina Silva, que tem pensado seriamente em sair do PT e ir para o PV, independente de uma candidatura à presidência.
E é por essa bagunça toda que não podemos ser indecisos quanto ao que fazem com a nosso país. Realmente, é difícil discernir quem está de quem não está "bem intencionado", e assim acabamos vendo de camarote a crise do Senado que, por cerca de 20% das vezes não é causada pelos próprios senadores, eleitos pelo povo, mas sim por suplentes. Pois entendam a tristeza com um exemplo um tanto "familiar" (literalmente): em 2008, Collor se ausentou por 90 dias do cargo de senador para ajudar na campanha de parentes em Alagoas - seu filho, Fernando James (PTB) e seu primo, Euclydes Mello (PRB-AL). Ada Mello (PTB-AL), sua prima, tomou posse em seu lugar, sendo a sua segunda suplente. O primeiro é o tal de Euclydes, que chegou a assumir o mandato por quatro meses, mas que no ano passado estava na campanha para prefeito de Marechal Deodoro (AL). Esse mesmo senhor foi acusado pelo Ministério Público Federal de Alagoas de "ter efetuado descontos referentes à contribuição previdenciária dos empregados e não repassar os valores ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS)" - tais valores chegaram a R$ 1.643.753,83. E quem precisa de suplente assim quando já se tem o Collor?
O triste da história é que existem projetos para mudar essa falcatrua dos suplentes, mas é óbvio que o desinteresse é muito maior. Na própria página do Senado, lemos que tal mudança provocaria "complexidade desnecessária ao processo eleitoral, com desdobramentos na distribuição do horário eleitoral gratuito [leia-se: vai atrasar a novela das oito] com reflexos na composição da cédula eleitoral, provocando prejuízos no discernimento do eleitor". Pois o "discernimento do eleitor" clama por um mínimo de respeito, e não por "representantes dos representantes", convenhamos.
O próprio presidente da OAB, Cezar Britto, já declarou que suplente de senador é "clandestino", uma vez que ele não precisa de votos para ser eleito. Britto disse isso quando Edison Lobão foi nomeado ministro de Minas e Energia, permitindo que seu filho, Edison Lobão Filho (DEM-MA), assumisse uma confortável cadeira no Senado. Vi recentemente que o senador Eduardo Suplicy defendia que o político perdesse o cargo quando se afastasse, e não substituísse por determinado tempo a sua vaga, o que seria também algo justo. E mesmo a OAB, que participou ativamente do processo de impeachment do ex-presidente Collor, defende a extinção da figura do senador suplente sem voto, além da tal história do "recall parlamentar", que falarei num próximo artigo.
Nessa história toda, recordo-me do suplente de senador Wellington Salgado (PMDB-MG), aquela figura estranhíssima de cabelos grandes, outro defensor ofensivo de Sarney. Além de já ter se comparado com um "dálit" - é, como o Bahuan da novela das oito - por ser suplente, já disse que o "Senado virou um Big Brother político". Verdade, Vossa Excelência. E eu, aqui, só espero pelo paredão. A única indecisão da vez é: quem tirar primeiro?
o política chique adverte: vote sem indecisões nas eleições de 2010. vote bem. o paredão é a gente que faz.
Admito: as piores decisões são aquelas irreversíveis. Marcantes, oficiais, públicas e, se me permitem o pleonasmo descarado, decisivas - essas daí me tiram o sono. E deviam tirar de muita gente por aí, que dirá em Brasília. Quando um político escolhe um partido, teoricamente ele se identifica com o tal pelos seus ideais, pelas suas lutas construídas, pelo seu quadro de representantes, enfim, por uma gama de outros de fatores. Mas a verdade, sabemos, é um tanto diferente: muito do que move as decisões políticas são os tão egoístas interesses pessoais, que são variados mas que, no fim, convergem, quase que de forma unânime, para o par dinheiro/poder. Tal associação é simples, só mudando, dependendo da visão de cada um, o verbo e a ordem das palavras, sem grandes alterações: dinheiro traz poder, poder é dinheiro, dinheiro faz poder etc. Isso tudo, claro, num quadro em que ainda vemos um coronelismo mascarado, uma exagerada burocracia, uma corrupção em qualquer campo e uma população conivente com tais atos - secretos ou não.
Em dezembro de 2008 o STF confirmou a constitucionalidade da resolução do Tribunal Superior Eleitoral que disciplina a perda dos cargos eletivos de deputados, vereadores e senadores por infidelidade partidária, isto é, aquela bagunça nas trocas dos partidos: direita virando esquerda, esquerda virando direita etc e tal. Confusão bem típica da política, se me permitem o termo, desmemoriada. De fato muitos políticos brasileiros não acreditam que haja um prazo de validade para o (mau) exercimento de suas funções, como o sarcástico deputado Sergio Moraes (PTB-RS), que além de se lixar pra todos nós, declarou publicamente que mesmo com todo aquele alvoroço, acabaria sendo eleito novamente. E novamente. E novamente. E eu lá duvido?
Digo isso pois caso ele, como qualquer outro mestre da politicagem, trocando ou não de partido, poderá ser eleito novamente. No ano que vem elegeremos não só o novo presidente - ou seria nova presidenta? - como, espero eu, novos governadores, deputados federais, deputados estaduais e senadores. A renovação no Senado, como em todas as outras representações de poder, é essencial. E o melhor: é uma escolha nossa. Não podemos continuar com Duques, Collors, Sarneys, Virgílios, Renans, e tantos outros. Ora, que peguem seus jatinhos e partam para bem longe!
Ressaltemos que a questão da fidelidade partidária é, ainda, um tema áspero: ao mesmo tempo que evita o intercâmbio entre partidos, faz com que os poucos políticos comprometidos que nos restam hesitem em trocar: mesmo que o partido não se comprometa mais com o que antes propunha, cabe ao político decidir se permanece onde está, carregando rótulos que a sua filiação leva, ou mudar para outro, correndo o risco de perder o mandato. E é isso que tem acontecido com a senadora Marina Silva, que tem pensado seriamente em sair do PT e ir para o PV, independente de uma candidatura à presidência.
E é por essa bagunça toda que não podemos ser indecisos quanto ao que fazem com a nosso país. Realmente, é difícil discernir quem está de quem não está "bem intencionado", e assim acabamos vendo de camarote a crise do Senado que, por cerca de 20% das vezes não é causada pelos próprios senadores, eleitos pelo povo, mas sim por suplentes. Pois entendam a tristeza com um exemplo um tanto "familiar" (literalmente): em 2008, Collor se ausentou por 90 dias do cargo de senador para ajudar na campanha de parentes em Alagoas - seu filho, Fernando James (PTB) e seu primo, Euclydes Mello (PRB-AL). Ada Mello (PTB-AL), sua prima, tomou posse em seu lugar, sendo a sua segunda suplente. O primeiro é o tal de Euclydes, que chegou a assumir o mandato por quatro meses, mas que no ano passado estava na campanha para prefeito de Marechal Deodoro (AL). Esse mesmo senhor foi acusado pelo Ministério Público Federal de Alagoas de "ter efetuado descontos referentes à contribuição previdenciária dos empregados e não repassar os valores ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS)" - tais valores chegaram a R$ 1.643.753,83. E quem precisa de suplente assim quando já se tem o Collor?
O triste da história é que existem projetos para mudar essa falcatrua dos suplentes, mas é óbvio que o desinteresse é muito maior. Na própria página do Senado, lemos que tal mudança provocaria "complexidade desnecessária ao processo eleitoral, com desdobramentos na distribuição do horário eleitoral gratuito [leia-se: vai atrasar a novela das oito] com reflexos na composição da cédula eleitoral, provocando prejuízos no discernimento do eleitor". Pois o "discernimento do eleitor" clama por um mínimo de respeito, e não por "representantes dos representantes", convenhamos.
O próprio presidente da OAB, Cezar Britto, já declarou que suplente de senador é "clandestino", uma vez que ele não precisa de votos para ser eleito. Britto disse isso quando Edison Lobão foi nomeado ministro de Minas e Energia, permitindo que seu filho, Edison Lobão Filho (DEM-MA), assumisse uma confortável cadeira no Senado. Vi recentemente que o senador Eduardo Suplicy defendia que o político perdesse o cargo quando se afastasse, e não substituísse por determinado tempo a sua vaga, o que seria também algo justo. E mesmo a OAB, que participou ativamente do processo de impeachment do ex-presidente Collor, defende a extinção da figura do senador suplente sem voto, além da tal história do "recall parlamentar", que falarei num próximo artigo.
Nessa história toda, recordo-me do suplente de senador Wellington Salgado (PMDB-MG), aquela figura estranhíssima de cabelos grandes, outro defensor ofensivo de Sarney. Além de já ter se comparado com um "dálit" - é, como o Bahuan da novela das oito - por ser suplente, já disse que o "Senado virou um Big Brother político". Verdade, Vossa Excelência. E eu, aqui, só espero pelo paredão. A única indecisão da vez é: quem tirar primeiro?
o política chique adverte: vote sem indecisões nas eleições de 2010. vote bem. o paredão é a gente que faz.

4 comentários:
Wellington Salgado me irrita muito, assim como todo o senado. Quanto as mudanças excessivas de partido, temos aqui no executivo do Rio de Janeiro o nosso querido Eduardo paes.
Bia, lendo esse texto só me faz lembrar de uma conclusão que há tempos eu já havia formado. Tal conclusão se refere ao quanto a política brasileira é desorganizada, desacreditada e que a impressão que tenho é a de que ela está à beira de um colapso institucional. Com tudo, não me resta outra opção a não ser a de concordar em gênero, número e grau com o Dr. Cézar Britto, meu conterrâneo e presidente nacional da OAB. Em um de suas entrevistas, ele chegou a propor aos senadores para que estes renunciassem aos seus mandatos, visto que somente assim poderia se solucionar a atual crise vivida pela instituição. É uma vergonha termos que chegar a esse estágio, principalmente em um país democrático de Direito como o nosso. Mas a realidade, infelizmente, se apresenta desta forma e esses escândalos, infidelidades, corrupções, nepotismos e a falta de decoro dos nossos representantes é um desrespeito para nós e nos envergonha diante do mundo que já nos associa ao país da corrupção.
Tô nesse dilema. Quero me filiar e ainda não decidi o partido. Todos tem alguns prós e muitos contras...
Nós amazonenses, temos dois senadores suplentes: um pelo falecimento do saudoso Jeferson Peres, no qual votei; outro pela vaga deixada pelo Ministro dos Transportes, jogada já prevista antes das eleições.
Por mim, teria paredão todo dia...
Não tente agradar a todos. A vida é assim...
Tomamos decisões, e, infelizmente, temos de arcar com as marvadas das consequencias.
Seja você mesma, Bianca, que vc chega looonge..
Abraço!
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