Recentemente descobri um vício bom: cinema. É verdade que é no mínimo improvável de se encontrar algum indivíduo que finque o pé e afirme que odeia, odeia e odeia filmes e derivados; até porque o cinema por si só compõe um mundo à parte. Um universo um tanto vasto, que aí sim se subdivide em diversos gêneros – terror, comédia et cetera – já não ficando nada improvável encontrar aqueles que odeiem musicais, filmes melosos com atores melosos ou, pra ser bem específica, longas-metragens japoneses com monstros, criaturas e bizarrices de maquiagem malfeita, mas que, ainda assim, apesar dos roteiros pífios – Céus!, aprendam com Hitchcock o que é o verdadeiro thriller – deixam pessoas sem dormir por algumas semanas. Preciso ser mais clara para mostrar que detesto tal gênero?Pois desde os primórdios do cinema a figura de um vilão, ainda que munido de estereótipos já manjados, é trazida à tona não só para “apimentar” um pouco a narrativa, mas também por transparecer o que vemos no mundo não-fictício: montes de indivíduos que tem toda a característica (má) índole do bandido do cinema. Verdade que tentamos fugir dessa realidade, esconder essa verossimilhança maldita, só que a comparação é inevitável: o que falta para os corruptos, ladrões e imorais que constituem a política do país ganharem todo o caricato ar do vilão de cinema? Roupas escuras? Não, pois já vestem ternos pretos, que curiosamente me passam um aspecto burocrático tão, tão típico. Armas? De fato acredito – ou espero – que eles não as possuam, pelo menos não as físicas. Grande coisa. Revólveres, metralhadoras, bazookas – nada disso chega aos pés do poder de destruição que carrega uma assinatura – ou a sua falta – de um projeto, de uma lei. Existem, ainda, outros armamentos que deixam qualquer bandido de western morto de inveja: curral eleitoral, apadrinhamento, desvio de verbas, enfim: verdadeiras armas de destruição em massa.
Vilões à parte – ou não – certas cenas do cotidiano político brasileiro são no mínimo intrigantes para mim. Como um tímido e sutil exemplo, cito o caso recente do Marcos Valério, aquele, aquele mesmo, que se envolveu num passado próximo em falcatruas e, por que não?, em casos não ou mal resolvidos, especialidade da pizzaria brasileira. Pois é. O segundo careca mais famoso do Brasil – arrisco dizer que o primeiro é o Ronaldo – recebeu novas acusações no último dia 17, junto de seus dois ex-sócios Cristiano de Mello Paz e Ramon Hollerbach Cardoso. O trio é acusado dos crimes de lavagem de dinheiro e de evasão de divisas. Super original. (leia mais aqui)
Nada mais comum ver dinheiro público sair sujo dessas tão clássicas lavagens. Rotineiro aos olhos de todo brasileiro que abre o jornal e vê, já habitualmente, a primeira página com uma manchete gigante sobre futebol e outras muitas, miúdas, porém desanimadoras, trazendo notícias como essa. Pergunto-me: será que algum dia haverá um diretor audacioso – ou um seria louco? – que tentará transformar toda a trajetória política de um Brasil num filme? Traríamos de tudo um pouco: Deodoros, Vargas, Juscelinos, Goularts, Médicis, Collors, Cardosos, Lulas e todo o “pessoal” que vem junto: deputados, senadores, prefeitos, governadores, enfim: o quadro completo que compõe ou já compôs as instituições de poder do Brasil. Seriam muitos os desafios. Pra começar, ele precisaria de um grande elenco – metade só para os Sarney – e de muita verba pra bancar a superprodução.
Só acredito que o maior problema do diretor, por mais habilidoso que ele seja, será definir o gênero do filme: decerto, para não soarmos tão incrédulos, digamos que terão, no roteiro, alguns momentos românticos, felizes, alegres e blábláblá. Mas convenhamos, a dúvida perdura. Irá predominar o quê: terror ou comédia?

Oh my God!

9 comentários:
Ai biaaa! arrasouu! tenho que confessar que esse foi um dos seus posts que eu mais amei!
"especialidade da pizzaria brasileira"
hahaha arrasou amiga !
sucesso!
beiiijos, maLu.
Se for fazer no gênero terror teria que ser uma série com umas 20 temporadas. Transformando em comédia fica mais fácil, um trilogia resolve...
Ótimos textos...parabéns, todos feitos com muita inteligência !
P.s: Assistir ao "Os normais 2" é como assistir ao seriado, sem grandes surpresas.Mas até que nem é tão ruim, assista ! Beijos :*
Eu acho que taria mais pra pornô =P
PS: eu ainda acho O Grito um filme mto bom =)
Tem horas que a política tem ares de Star Wars. Tiranos que extendem seu mandato indefinidamente, senado ineficiente, políticos honestos que passam pro Lado Negro da Força...
Tem até uma fala do Mace Windu (o Samuel L. Jackson) no Episódio 3 que me faz pensar muito em Calheiros, Severinos e Sarneys:
"Ele controla o Senado e a Corte. É muito perigoso pra continuar vivo!"
O que? Matar políticos? Nunca!
Apesar de as vezes achar que a cena final do Doutor Fantástico (único filme do Kubrick que gostei) ser a solução pra Brasil(ia)...
Não viu? Assista e vai entender do que eu tô falando!
Beijão, Bia! Mais uma vez parabéns pela belíssima postagem e me perdoe pelos meus parágrafos de besteiras nerds!
Concordo com o comentário do Lusca... a política aqui no Brasil está mais para pornô... putaria e sacanagem é o que não falta em Brasília. Adorei o texto!
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Bianca,adorei esse texto.
Leitura mais q maravilhosa,também sendo uma escritora e futura fornalista brilhante...
Beijaõo!
ó dúvida cruel rsrs
Acho que uma mistura dos dois gêneros pra demonstrar a verdade da política brasileira. Talvez só com a mistura das duas mesmo.
olha Bianca.. acho que seria uma tragédia mesmo, e das gregas!
Mas com certeza teriam momentos de humor.
Quem sabe se nossos policos assistissem, conseguiriamos aplicar o pensamento de Terêncio: "Ridendo castigat mores" (o riso pune os costumes).
Mas acho que não, um tanto utópico né?! Acho que nossos politicos nem são capazes de se sentirem ridicularizados!
Beijos
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